segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CÂNCER DE MAMAS SIMPLESMENTE MAIS UM ADVERSÁRIO!


 


por Aldaci da Silva Claro (aninha)
Hoje ao ser indagada por uma amiga curiosa para saber o que significa ter câncer, meus pensamentos me levaram a nove anos atrás, quando no consultório de meu médico recebi a notícia que dessa vez o nódulo que havia sido retirado de meu seio era diferente...Realmente era diferente porque era maligno!
                                                       
Nossa, me envolvi num turbilhão de emoções, e já não conseguia chorar, e milhares de dúvidas surgiram, e o primeiro sentimento de todos foi o medo da morte porque ter câncer significava uma sentença de morte, e comecei a sentir pena de mim.Confesso que me senti indefesa, confusa, e apavorada; eu havia acabado de sofrer percas muito grandes, e agora a última coisa que me restava era minha vida e parecia que não estava valendo muito naquele momento.

Respirei fundo e num misto de suplicas, orações eu questionei a Deus: Porque eu tenho que passar por mais essa perca? Porquê meu marido que estava tão saudável morreu tão repentinamente e eu teria que sofrer isso agora?

Esses sentimentos, medos, incertezas foram desaparecendo aos poucos quando eu percebi que eu não estava sozinha, pois me restava vida, uma família, filhos, amigos e seu estava viva significava que ainda não era o fim.

Agora estava surgindo um novo momento em minha vida e o primeiro passo era saber o que estava acontecendo com meu corpo e como aquele câncer foi parar lá, e se eu tinha chances de reverter toda essa situação. Recebi a visita da Presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer Sra. Nadir Inez, a qual minha mãe que também era voluntaria me apresentou e a partir daí demos o início a nossa caminhada em busca do tratamento.

 Tive a explicação que o câncer nada mais é que uma célula de nosso corpo sofre algumas alterações devido a nossa genética, nosso tipo de rotina, alimentação, estado emocional, etc. e essa alteração da célula vai atraindo outras células que vão formando um grupo maior de células deformadas gerando os nódulos que tem como objetivo invadir todos os órgãos de nosso corpo. Fiquei pensativa por alguns dias, quando me conscientizei que se o câncer é um grupo de células que se rebelaram, então teria que existir algo que pudesse deter toda essa rebelião e que eu teria que lutar pois o meu corpo não era o câncer e sim o câncer estava no meu corpo, existia ainda milhares de células no meu corpo que não haviam se rebelaram e decidi enfrentar e cabeça erguida tudo isso. Foi feita a cirurgia de mastectomia retirando um de meus seios, logo após veio a parte difícil que era a quimioterapia.

A palavra quimioterapia me dava medo, pois meu médico me explicou que teriam reações, queda de cabelos, náuseas, eu nem imaginava como seria comigo pois eu só ouvia falar que era terrível, e só de ouvir falar me dava um frio na barriga. Na primeira sessão entrei na sala e fiquei observando tudo, cadeiras, aparelhos, enfermeiros se dar uma única palavra. Que momento difícil!
Em seguida a enfermeira aplicou em minha veia um soro, depois mais um soro de cor diferente, só isso. Voltei pra casa admirada que era apenas um soro na veia.
Passados algumas horas eu estava muito confiante, pois imaginava que não teriam reações em mim. Aconselhada por meu médico fui cortar meus cabelos, mas no íntimo eu estava crendo que meus cabelos não cairiam, afinal eu já tinha passado pela primeira sessão de quimioterapia e nada tinha acontecido de diferente comigo a não ser um pouco de enjoo.
Passados alguns dias ao tomar banho notei que ao lavar meus cabelos mechas de meus cabelos começaram a cair. Que desespero, pois quanto mais eu passava as mãos nos cabelos mechas e mais mechas caiam deixando falhas horríveis e ali me bateu o desespero e comecei a imaginar que o tratamento estava sendo feito para me manter viva apenas por alguns dias e eu estava morrendo aos poucos e nada poderia deter esse processo.
Confesso que esse foi o banho mais longo de minha vida, que durou mais de uma hora eu sentada no chão chorando com as mechas de meus cabelos que vaidosamente mantinha na cor vermelha, sempre escovado, penteado. Parei de chorar, peguei uma esponja e esfreguei até caírem todos os fios me deixando totalmente careca.Sai do banho enrolada com uma toalha ainda com medo de enfrentar o espelho, mas eu teria que vencer mais essa batalha!
Me vesti, coloquei um lenço colorido, brincos, uma maquiagem ergui minha cabeça e disse: vida ai vou eu! Novamente recomecei minha luta contra meu adversário. Passei por seis sessões de quimioterapia e trinta e duas sessões de radioterapia.

Tive acompanhamento médico para saber como meu corpo reagia ao tratamento e graças a Deus venci essa etapa.

Agradeço a Deus pela força, por ter me compreendido em alguns momentos minha falta de fé, pois somo humanos não conseguimos crer plenamente em Deus como deveríamos.

Também agradeço a Deus por minha família que caminhou ao meu lado durante todo tratamento, e por ter me dado a oportunidade de fazer todo tratamento assistida pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de São Francisco do Sul, que me levava para as consultas, quimioterapia, radioterapia e também fazer parte do grupo “Sempre Vivas”, que são mulheres que passaram pelo mesmo processo de Câncer e mastectomia. Nesse grupo fazíamos artesanatos, tínhamos psicóloga, fisioterapeuta, enfim nesse grupo fui amada, conheci histórias parecidas com a minha, mostrando que qualquer um de nós está sujeito aos ataques desse terrível adversário que é o câncer, ao qual devemos enfrentar, e jamais desafiar quando descobrimos que ele está alojado em nosso corpo, pois se não fizermos o tratamento tendo cuidados maiores com nosso corpo ele poderá voltar com toda força e seremos derrotados


Certo medico no início do tratamento usou a seguinte frase que me marcou muito:

“NINGUÉM ESPERE QUE EU COMO MÉDICO VENHA A LHE DAR VIDA, POIS SE DEUS LHE DA A OPORTUNIDADE DE SE MANTER VIVO E FAZER ESSE TRATAMENTO QUE SEM A SUA VONTADE DE VIVER E O MEDICO NADA PODERÁ FAZER PARA LHE AJUDAR, E SE VOCE NÃO LUTAR PELA VIDA, E REALMENTE QUERER VIVER O CÂNCER QUE É O SEU ADVERSÁRIO IRÁ GANHAR ESSA BATALHA”

Hoje sou voluntária e acompanho pacientes que fazem tratamento de quimioterapia, radioterapia e acompanhamento médico em Joinville, também presto atendimento no ambulatório na RFCC,e faço parte da equipe que realiza palestras sobre a prevenção que é pela fundamental para o diagnóstico  e cura do câncer .
Essa é uma oportunidade de passar aos pacientes experiências que vivi durante o tratamento, as atividades que a RFCC presta em beneficio não apenas a mulheres, homens e crianças mostrando a todos que o câncer é apenas mais um adversário que temos que enfrentar com coragem, fé e tenho muito orgulho de poder participar dessa entidade muito orgulho dessa entidade.

Aldaci da Silva Claro (aninha)







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